Se você examinar de perto a vida de Abraão, verá que o Senhor, o Deus
Altíssimo, falou com ele pelo menos oito vezes. Me identifico muito com
Abrão, pois tivemos que deixar nossa terra, nosso povo, nossa parentela,
para sermos salvos e abençoados em terra estranha. Sempre que tenho a
oportunidade de olhar para um céu estrelado, em noites de lua nova longe
das cidades, lembro-me da ocasião em que "El Shadai" mandou Abrão olhar
para o céu e contar as estrelas. Abrão não era muito crente no
princípio. Sua fé foi sendo acrescida aos poucos. Gênesis 15: 1 ao 6.
A primeira vez que Deus falou com Abrão, em Gênesis 12:1, Ele estava em
Ur da Caldéia. O verbo está no imperativo: "sai-te", portanto foi uma
ordem para sair da sua terra, do meio da parentela e da casa de Terá.
Seu Destino seria uma terra, que apenas conheceria no futuro, se saísse.
As vantagens seriam: poder, fama e motivo de prosperidade para todas as
famílias da terra. Abrão deve ter saído com interesse em alguma dessas
coisas e, junto com ele, foram o pai e o sobrinho. No meio do caminho,
em Harã, o pai morreu. Mas, o sobrinho continuou. Ficavam ricos, à
medida que seguiam em frente.
A segunda vez que o Senhor lhe apareceu , foi para dizer que a Terra de
Canaã, onde chegara, era sua Terra Prometida. Abrão tinha um segredo,
uma profunda frustração, que Deus conhecia bem, mas Abrão não tocava no
assunto. Disse Deus: "A tua semente vou dar esta Terra", provocando seus
sentimentos. A terra prometida trouxe uma surpresa: a fome!
E veio uma grave fome sobre a Terra de Canaã. Por isso Abrão desceu à
terra do Egito e Ló, o sobrinho, continuava junto. Como "bons"
negociantes do Oriente, uma mentirinha aqui, outra ali, não faria mal...
e, foi assim, por causa de uma mentira que o Faraó os expulsou do
Egito. Saíram ricos, muito ricos em gado, ouro, prata, criados,
escravos, de volta à Canaã - às custas de experteza.
Mas, era gado de mais e terra de menos em Canaã. Isso foi o estopim de
contendas que entre os pastores do tio e os do sobrinho. Assim,
finalmente, Abrão chegou ao último ponto da exigência de Deus: sair de
perto da parentela. Deixou o sobrinho escolher em primeiro lugar os
pastos. E o sobrinho não titubeou , com muita esperteza, escolheu os
melhores pastos, na Campina do Jordão. O Tio ficou com o resto, a região
das montanhas - os pastos piores.
.
Por isso, pela terceira vez, o Senhor apareceu para um Abrão solitário,
que amargava uma ingratidão. Abrão tinha tudo: ouro, gado, 300 homens de
guerra; cerca de 1.000 pessoas serviam-no.
Ou quase tudo. Sua família, de verdade, agora era constituída de dois
velhos: Sara e ele próprio. Ao olhar as famílias dos servos, dos
escravos, ele podia observar que eles tinham filhos. Todo seu ouro,
prata, gado, escravos não eram o bastante para fazer nascer um herdeiro
legítimo de um casal de velhos.
Conhecendo Deus sua frustração - e Ele conhece as de todo mundo,
inclusive as suas e as minhas - apareceu e disse: Abrão! levanta, agora,
seus olhos e olha toda esta terra, para o Norte, para o Sul, para o
Oriente e para o Ocidente - toda esta terra que vês, te hei de dar a ti e
à tua semente, para sempre. Esta promessa, a mais valiosa para Abrão,
somente foi pronunciada depois que ele cumpriu a toda a vontade de Deus:
sair da sua terra, da casa do pai, e do meio da parentela.
Deus não ficou somente nestas palavras, continuava a lhe provocar: "A
tua semente, Abrão, será como o pó da terra. Levanta-te e percorre com
seus olhos essa terra, no seu comprimento e na sua largura, porque a ti
darei".
A partir desse ponto, o coração de Abrão não estava mais nas suas
posses. Deus queria despertar nele um novo sonho. Mas Abrão nem de longe
pensava nisso, continuava remoendo ocultamente sua frustração. não
sabendo que "Aquilo que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais
penetrou em coração humano é o que Deus tem preparado para aqueles que o
amam" I Coríntios 2:9.
Creia nesta palavra.
Deus apareceu a Abraão pela quarta vez, e isso aconteceu depois do seu
retorno da guerra em que se envolveu para resgatar o sobrinho e família,
o Ló das campinas do Jordão. Armado com 318 homens conseguiu trazer de
volta a família do sobrinho e recuperar tudo. Na volta deu o dízimo
daquilo que foi recuperado. Agora ele tinha certeza de que por trás da
sua prosperidade estava a boa mão de "El Shadai". Mas a guerra fez Abrão
tremer. E, Deus apareceu para lhe dizer: " Não temas Abrão, eu sou o
teu escudo (segurança na guerra) e o teu grandíssimo galardão". E o
significado dessa palavra: galardão, para Abrão ainda era desconhecido.
Mas, foi nesta vez que Abrão abriu seu coração para revelar a sua mais
profunda frustração: "Senhor, me falta uma coisa para que esta casa seja
feliz de verdade. Eu não tenho filhos, e o meu herdeiro vai ser o
mordomo, o estrangeiro Eliezer.
E foi aí que veio a palavra do Senhor ao espírito de Abrão para lhe
dizer uma grande surpresa: "Este mordomo, não vai ser o teu herdeiro,
mas aquele que gerar de ti será, este sim, será o teu herdeiro".
.
E levou-o para fora e repetiu a ordem: OLHA, agora, para os céus e e
conta as ESTRELAS, se as puderes contar. E concluiu: "Assim, será a tua
semente". Contar estrelas aqui significa reacender sonhos. Assoprar
novamente as cinzas. Pode ser que ainda tenha ali uma pequena brasa
acesa. Aprendi sobre isso, depois de 11 anos de desemprego. Minha melhor
oportunidade somente veio quando já estava "velho" com 48 anos. Quanta
frustração naqueles 11 anos, mas Deus não me deixou ficar para sempre
frustrado e envergonhado.
Minha vizinha, Andrea, recebeu a mesma bênção de Abrão. Ela, seu esposo e
seus amigos oraram 17 anos por um filho. Ela contava que certo dia, ela
fora humilhada por outra vizinha que disse mais ou menos isso: "Cadê o
seu Deus? Eu tenho dois filhos e você nenhum!" Sabe o que aconteceu?
Passaram-se 17 anos. Quando chegou o 18º ano de casamento, Deus disse:
Basta! e lhe deu o primeiro filho que nasceu de sete meses.. Um ano
depois, uma filha com nove meses de gravidez. Um casal, herança de nosso
Deus. Foi uma noite de choro que demorou quase dezoito anos, mas a
manhã veio porque o Senhor é fiel.
Abrão, àquela altura, já possuia mais intimidade com o Senhor.
Entretanto, ele também era uma pessoa apressada que não gostava de
perder tempo. E quase pôs tudo a perder quando ouviu a sugestão da
esposa, para que tivesse um filho com a escrava. E Agar - a escrava -
concebeu e deu o primeiro filho a Abrão, Ismael, o pai do povo árabe.
Quando Deus fala, se formos fiéis, nosso espírito sentirá uma paz
incomum. Quando a voz não é Dele, nosso coração fica com dúvidas. E, se
decidirmos com dúvidas o maligno pode roubar nossas bênçãos verdadeiras.
Abrão perdeu 14 anos de seu tempo por uma decisão errada. Ele seguiu a
voz da razão porque achava loucura receber sua maior vitória no tempo da
velhice.
Em Gênesis 17, Deus apareceu pela quinta vez a Abrão já com 99 anos
idade. Sara, sua esposa, com 89 anos. Um casal de velhos gagás, como se
diria hoje. Nesta oportunidade Deus lhe cobrou santidade: "Eu sou o Deus
Todo Poderoso; anda, Abrão, em minha presença e sê perfeito". Em
seguida,trocou o nome dos dois. Agora, eram Abraão e Sara!
A confirmação da promessa de um filho, naquela idade, fora motivo de
risos por parte dos dois. Risos de singela incredulidade. Eles ainda não
acreditavam completamente. Foi por isso que Deus deu nome ao sonho de
Abraão: ISAQUE!
Caro leitor, vamos fazer uma nova pausa. Antes de conhecermos
completamente o poder de Deus, costumamos carregar lá no fundo do "baú"
as mais diversas frustrações, as montanhas de impossibilidades. Gênesis
18:14 diz: "Há alguma coisa difícil para Deus realizar? E, Lucas 1:37
responde: "Porque para Deus nada é impossível!"
Na sexta vez o Senhor lhe apreceu pessoalmente, com dois anjos na forma
de visitantes - Gênesis 18. Sara ainda estava com dúvidas. Deus veio
para confirmar que dali a nove meses, a partir daquela visita, o ISAQUE
IA CHEGAR. Também avisou a Abraão sobre a destruição de Sodoma e
Gomorra. No capítulo 21, Isaque nasceu. Isaque significa riso. Riso,
porque se alguém soubesse da história, com certeza riria. E cresceu o
menino e Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi
desmamado. Os risos da alegria verdadeira invadiram aquela casa. Ela
deixou de ser uma tenda de velhos tristes e rabujentos para ser um lar
radiante e barulhento. A "loucura" do que Deus pode fazer.
Isaquinho era o príncipe daquele lar. Abraão não tinha mais frustração.
Não tinha mais sonhos. Isaque era tudo. Sua fé ainda não tinha sido
posta à prova. Era um crente em Deus crescido no verão, em tempos de
chuvas, em tempos de bênçãos. Ouro, prata, gado, criados, escravos e por
fim, o Isaque. As lutas tinham sido até pequenas até ali.
E veio então a sétima vez que o Senhor lhe apareceu. E lhe pôs à prova.
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| Deus proverá o cordeiro, meu filho... |
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--Abraão! disse Deus, toma, agora, o teu único filho, Isaque, a quem
amas e vai a terra de Moriá, e o sacrifica, e o oferece em holocausto a
mim. Então, Abrão se levantou e foi cumprir a ordem de Deus. Só não a
cumpriu, literalmente, porque o próprio Deus enviou um anjo para
impedir.
Naqueles três dias, que caminharam até próximo do Monte Moriá, Abraão
teve para meditar profundamente na gravidade do seu compromisso. Ele
decidiu certo. Ia obedecer a ordem de Deus. Uma ordem cruel e duríssima.
No seu coração ele tinha uma coisa: paz com Deus. Ele cria em Deus. O
mesmo Deus que dava filhos a velhos gagás, proveria uma solução para o
caso. Assim, chegou Abraão a conclusão de que Deus era tudo para ele.
Lhe daria o primeiro lugar Isaque já estava no segundo plano. Tal
atitude comoveu o coração de JEOVÁ. A fé de Abraão atingira a maturidade
completa: chegara à perfeição, pois, agora, trocaria tudo para agradar e
fazer a vontade de Deus. Abraão amava o Senhor de todo o coração.
Por causa da fé de Abraão, são abençoadas todas as famílias da terra. O
Isaque simbolizava Jesus Cristo, o único filho do Deus Vivo, do Deus
Altíssimo, do Deus Eterno, do Deus Todo Poderoso. Jesus descendia de
Abraão. O seu sangue no sacrifício da cruz do calvário é o
suficientemente necessário para que todos que nele crêem possam chegar
diante do Pai e alcançar a paz da reconciliação.
E, uma vez reconciliados por Cristo, podemos confiar em seu amor. Se
você apresentar a Ele, em oração, suas frustrações, suas feridas, suas
limitações, suas quedas, saiba que Cristo pode trocar todas elas por
sonhos e novas visões. Olhe, para o céu da noite e conte as estrelas.
Seja fiel; Romanos 12:2; e o Senhor cumprirá o desejo do seu coração;
Salmo 37:4.

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